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OS IMPACTOS DAS NOVAS FORMAS DE VIVER E TRABALHAR NO SETOR IMOBILIÁRIO EM PORTUGAL.

  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Desde o advento da pandemia, surgiram alterações no mercado imobiliário em Portugal. O aumento da demanda vinda do exterior, e a dificuldade de aumentar a oferta – sendo a agilidade de aprovação dos projetos o nó górdio do processo, junto com a falta de mão de obra - foram os gatilhos que provocaram um imparável aumento de preços. A microeconomia explica bem. Mas não é disso que vamos tratar agora.

O aumento constante nos valores pagos para o arrendamento ou aquisição da casa própria deu o empurrão para deixar para trás as grandes cidades. Mas não teria sido o suficiente, se outros fatores não criassem as condições para viabilizar esta virada. E por isso, esta tendência se consolidou.

Fatores alheios a todos nós provocaram essa disrupção.

E que fatores foram estes?

1) Uma mudança na expectativa da forma de viver, com alterações de valores, estilos de vida, privilegiando o ser, o fruir, ao consumir. A qualidade de vida passou a dar o tom. Foi chegando devagar…

2) A possibilidade do trabalho remoto.

3) As oportunidades no empreendedorismo diante de um mercado de trabalho que se encolhe.

4) O crescimento de atividades agrícolas com características biológicas e de produção local.

5) Um certo cansaço do excesso das grandes cidades.

6) E o crescimento exponencial do turismo de experiências.

Há muito que se critica a concentração populacional das duas grandes áreas metropolitanas de Portugal: Porto e Lisboa. E não foram políticas governamentais que começaram a reverter o quadro desejado por todos, mas sim uma mudança cultural e de estilo de vida, e a disrupção provocada pela tecnologia.

À medida que esse movimento evolui, colocam-se outras questões relevantes:

1) Quais são as opções de casas para morar? Será a vez das pré-fabricadas e modulares? Elas são mais fáceis de escalar a produção e têm um excelente desempenho energético e acústico que se refletem na redução dos custos mensais de energia. E muita flexibilidade no planejamento do interior.

2) Quando vão ser revistos os critérios de avaliação e aprovação dos projetos, dadas as diferentes características do modelo construtivo tradicional, se comparado com o modelo industrial?

3) As políticas públicas não são voltadas para a nova construção. Há que adaptar rapidamente. Importante também a viabilização das infraestruturas para que não venham gargalos que interrompam essa tendência de interiorização

Cabem aqui algumas reflexões finais:

Alguém acha que essa tendência não vai permanecer?

Não seria importante fazer estudos para aprofundar o conhecimento dela de forma a nortear os planos de novos empreendimentos na área da construção residencial?

Não seria a hora de incentivar, com créditos e redução fiscal, a remodelação do casario tradicional do interior de Portugal, suas aldeias e pequenas cidades? E apertar as regras dos prédios devolutos?

Ainda dentro deste contexto, avançar com estudos que demonstrem, antecipadamente, os gargalos que vão aparecer com a interiorização?

Sem querer, vamos reconstruir e reocupar, o que Portugal tem de melhor: o seu interior. E se calhar, um novo horizonte para o crescimento de outros setores da economia, como serviços, comércio e agricultura de subsistência, irá acompanhar essa tendência.

Será que vamos ter essa beleza de interior recuperado nos próximos 10 anos. Estou seguro de que sim, se todos fizerem a sua parte.


Se quiser saber mais sobre essa tendência, pode ligar.


Renato Leal

+351.910937387

 
 
 

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